Óleo de coco é mais saudável que azeite? Veja o que diz especialista


“O óleo de coco ganhou fama como alimento funcional, associado ao emagrecimento, ao aumento do metabolismo e à proteção cardiovascular, mas a ciência conta uma história mais equilibrada. A principal diferença está no perfil de gorduras. O óleo de coco contém cerca de 80% a 90% de gorduras saturadas, enquanto o azeite extravirgem é predominantemente rico em gorduras monoinsaturadas, especialmente ácido oleico, além de polifenóis e outros compostos bioativos”, conta.

Uma meta-análise de 16 ensaios clínicos, publicada na revista Circulation, identificou um aumento médio de cerca de 10 mg/dL nos níveis de colesterol LDL em pessoas que consumiram óleo de coco em comparação com aquelas que utilizaram óleos vegetais ricos em gorduras insaturadas. Embora o óleo de coco também possa elevar o colesterol HDL, conhecido como “colesterol bom”, esse efeito, por si só, não garante proteção cardiovascular.

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Já o azeite extravirgem é um dos pilares da dieta mediterrânea, padrão alimentar amplamente associado a benefícios consistentes para a saúde do coração. Estudos como o PREDIMED demonstraram redução na ocorrência de eventos cardiovasculares em pessoas com alto risco que seguiram uma dieta mediterrânea enriquecida com azeite extravirgem ou oleaginosas.

Daniela Meira afirma que é mito a ideia de que o óleo de coco contribui mais para o emagrecimento. Embora o ingrediente contenha ácidos graxos que podem ser metabolizados de forma diferente de outras gorduras, isso não significa que seu consumo habitual promova uma perda de peso significativa. Além disso, os efeitos observados em estudos com óleos ricos em triglicerídeos de cadeia média (MCT) concentrados não podem ser atribuídos diretamente ao óleo de coco, que possui uma composição diferente.

Óleo de coco é mais saudável que azeite? Veja o que diz especialista — Foto: Reprodução/Magnific

Afinal, qual escolher?

A nutricionista ressalta que o óleo de coco não precisa ser banido da alimentação. Segundo ela, o ingrediente pode ser utilizado ocasionalmente, especialmente por seu sabor e por suas características culinárias. No entanto, não há evidências científicas de que ele seja superior ao azeite extravirgem.

Para o consumo diário, a recomendação é priorizar fontes de gorduras insaturadas, que apresentam benefícios mais bem estabelecidos para a saúde cardiovascular. Entre elas estão o azeite extravirgem, as castanhas, as sementes, o abacate e os peixes.

“A questão não é demonizar o óleo de coco, mas colocá-lo no lugar correto: ele pode fazer parte da alimentação, mas não é uma gordura milagrosa”, finaliza.

Óleo de coco caseiro — Foto: Shutterstock

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