Fernando Campos conta que a cozinha sempre foi um lugar especial, que o remete há vários momentos especiais. Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, o influenciador comenta como a riqueza da culinária nordestina o abriu para diversos sabores. O natalense também cita sua avó como uma excelente cozinheira. Porém, foi a mãe quem o incentivou a cozinhar.
Influenciador Fernando Campos ensina receita de bolo de banana com mirtilos — Foto: Receitas
Influenciador Fernando Campos ensina receita de bolo de banana com mirtilos — Foto: Receitas
“Ela sempre dizia que eu precisava começar a me virar na cozinha, mas por muito tempo fui protelando. Quando a gente está na zona de conforto e tem quem faça por nós, acabamos nos acomodando. Só que a vida vai empurrando a gente para fora dessa zona“, admite Fernando.
“No começo, fui aprendendo coisas simples que não exigiam fogão — como caponata e guacamole —, até passar a cozinhar um ovo. O grande divisor de águas foi quando me mudei de Natal para São Paulo. Aqui minha rede de apoio diminuiu muito: sou eu e meu marido e, muitas vezes, passo dias sozinho. Essa nova realidade me obrigou a me virar” declara.
Organização da cozinha: tudo precisa estar no seu devido lugar
Para ter a autonomia necessária na cozinha, Fernando Campos precisa saber onde todos os utensílios e ingredientes estão. “Para mim, é primordial que as coisas se mantenham em seus lugares. Se eu tiro algo de um canto para usar, preciso devolver exatamente para o mesmo lugar, porque depois, quando eu for procurar, já sei onde está. E as pessoas que vivem comigo precisam entender e seguir essa dinâmica também”, revela.
Além disso, ele também utiliza um sistema para saber o que é cada coisa. “Nós sinalizamos com alguma textura ou com um elástico caso existam frascos de produtos diferentes que sejam muito semelhantes — uma tática que uso tanto na cozinha quanto para outras coisas na casa”, explica.
Fernando Campos prepara receita de bolo de banana e fala sobre autonomia que ganhou na cozinha — Foto: Divulgação
Fernando Campos prepara receita de bolo de banana e fala sobre autonomia que ganhou na cozinha — Foto: Divulgação
“Além da organização, eu preciso tomar algumas cautelas fundamentais. Por exemplo: quando estou cozinhando, não posso jamais deixar o cabo da panela virado para fora do fogão. Mesmo que eu vá rapidinho ali e volte, tenho que deixar o cabo virado para dentro. A organização anda lado a lado com a segurança“, completa.
Ajuda dos outros sentidos na hora de cozinhar
Sem a visão, os outros sentidos são fundamentais para que Fernando Campos consiga cozinhar. “A audição, por exemplo, denuncia quando a água está fervendo pelo barulho, e a própria vibração da panela no cabo muda. Se estou fazendo a massa de um bolo, não tem outro jeito: é o tato que vai me dizer o ponto certo”, revela.
“Para a medição dos ingredientes é a mesma lógica: do mesmo jeito que quem enxerga usa a visão, eu uso o tato. Quando estou colocando farinha numa xícara, por exemplo, vou tocando enquanto despejo para sentir a altura do ingrediente até chegar à borda”, declara.
Cozinhar é independência
Para Fernando, cozinhar é quase como sinônimo de independência. “Ter autonomia em todas as áreas da vida é fundamental, e se sentir capaz de fazer coisas que são essenciais para a sua própria subsistência é algo extremamente gratificante”, diz.
Fernando Campos explica que cozinhar é sinônimo de independência — Foto: Receitas
Fernando Campos explica que cozinhar é sinônimo de independência — Foto: Receitas
“Não é sobre nunca precisar da ajuda de ninguém — até porque qualquer pessoa precisa de apoio em algum momento, tendo uma deficiência ou não. Mas essa autonomia nos faz sentir, de fato, donos da nossa própria vida. E isso é algo revolucionário e indispensável para qualquer indivíduo”, finaliza.
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