Excesso de proteína pode prejudicar os rins? Especialistas explicam

Excesso de proteína pode prejudicar os rins? Especialistas explicam


Para entender por que isso acontece e quem precisa ter mais cuidado, duas especialistas explicam o assunto: Lectícia Barbosa Jorge, médica nefrologista, doutora em Nefrologia pela FMUSP e gerente médica corporativa da Fresenius Medical Care, e Thays Mortaia, nutricionista e coordenadora de nutrição na DaVita Tratamento Renal. Confira:

Excesso de proteína pode prejudicar os rins? Especialistas explicam — Foto: Reprodução da internet/Pexels

Por que excesso de proteínas pode prejudicar os rins

Segundo a dra. Lectícia, os rins são os órgãos responsáveis por eliminar parte dos resíduos gerados pelo metabolismo das proteínas, especialmente ureia e outros compostos nitrogenados. Quando a ingestão de proteína aumenta muito, o rim precisa filtrar mais sangue e eliminar mais resíduos, processo chamado de hiperfiltração renal.

Em pessoas saudáveis, isso pode ser apenas uma adaptação, mas em quem já tem doença renal, diabetes, hipertensão ou perda de função renal não diagnosticada, essa hiperfiltração pode acelerar lesões ao longo do tempo. Diretrizes como o KDIGO 2024 recomendam evitar ingestão proteica elevada, acima de 1,3 g/kg/dia, em adultos com doença renal crônica sob risco de progressão.

Quanto é considerado excesso de proteínas

A quantidade considerada excessiva varia bastante, de acordo com a dra. Lectícia: depende de peso, idade, massa muscular, nível de atividade física, objetivo nutricional e, principalmente, da saúde dos rins. Para a população geral adulta, uma referência clássica é em torno de 0,8 g/kg/dia.

Já para quem pratica atividade física regularmente e não tem doença renal, Thays Mortaia explica que as principais sociedades científicas recomendam, em geral, entre 1,2 e 2,0 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia, dependendo do tipo e da intensidade do treinamento, o que está alinhado com os consensos de nutrição esportiva citados pela Dra. Lectícia, que apontam faixas de 1,4 a 2,0 g/kg/dia para quem treina regularmente.

Mas isso não significa que consumir mais proteína trará mais resultados: acima da necessidade individual, os benefícios tendem a diminuir e o excesso não oferece vantagens comprovadas para a maioria das pessoas.

Whey protein e suplementos: o risco é diferente?

Thays Mortaia explica que whey protein é apenas uma forma concentrada de proteína, assim como a proteína encontrada em carnes, ovos, leite e peixes. Para pessoas com os rins saudáveis, quando utilizado na quantidade adequada, ele é considerado seguro. Já para quem tem doença renal, o mais importante não é a origem da proteína, mas a quantidade consumida. Por isso, pacientes com doença renal nunca devem iniciar o uso de whey protein ou outros suplementos por conta própria; a necessidade deve ser avaliada pelo nutricionista ou médico.

Sintomas de alerta para os rins

Um dos pontos mais importantes, segundo a dra. Lectícia, é que geralmente não há sintomas no início. O rim é um órgão silencioso: a pessoa pode estar perdendo função renal ou eliminando proteína na urina sem sentir nada. Quando aparecem, os sintomas costumam ser tardios e inespecíficos como inchaço, pressão alta, urina espumosa persistente, cansaço, náuseas, perda de apetite ou alteração no volume urinário. Por isso, não dá para esperar sintoma: a avaliação correta é feita por exames simples de sangue e urina.

Como aumentar consumo de proteína com segurança

Antes de pensar em suplementos, Thays Mortaia recomenda melhorar a qualidade da alimentação. As proteínas de alto valor biológico são melhor aproveitadas pelo organismo porque fornecem todos os aminoácidos essenciais. Entre elas estão: ovos, frango, peixes, carnes magras, leite, iogurte e queijos (quando permitidos pelo nutricionista).

Para pacientes com doença renal, as diretrizes internacionais recomendam que, sempre que possível, cerca de 50% da proteína consumida seja proveniente de alimentos de alto valor biológico, respeitando a quantidade indicada para cada paciente. Não existe uma dieta única para todos os pacientes renais: quem faz hemodiálise costuma precisar de mais proteína do que quem ainda não iniciou diálise. Por isso, qualquer mudança na alimentação deve ser feita com orientação do nutricionista e da equipe médica.

Exames que ajudam a avaliar a saúde renal

Segundo a dra. Lectícia, os principais exames são a creatinina no sangue com cálculo da taxa de filtração glomerular estimada (eGFR), o exame de urina tipo 1 e a relação albumina/creatinina na urina (uACR), que detecta pequenas perdas de albumina, um marcador precoce de lesão renal.

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