Manga temperada vira negócio de sucesso e conquista fãs — Foto: Divulgação/MulaMango
Manga temperada vira negócio de sucesso e conquista fãs — Foto: Divulgação/MulaMango
Apaixonada por manga, Joana já trabalhava com frutas, pois ela também comanda uma barraca de bebidas, a The Bosh Drinks. “Um dia, pesquisando sobre as melhores mangas para processar, o algoritmo me mostrou uma marca de manga temperada. Minha primeira reação foi julgar. Pensei: ‘Quem vai comer isso?'”, conta. A resposta, como se viu, é: muita gente. Com menos de dois meses de existência, a barraca já atrai filas de curiosos querendo experimentar a fruta temperada.
“Eu gosto muito de gastronomia e adoro entender a história dos alimentos. Comecei a pesquisar e descobri que a manga verde temperada é consumida há muitos anos em vários lugares do mundo, como Caribe, Tailândia e Filipinas. Quanto mais eu pesquisava, mais vontade eu tinha de experimentar e trazer essa experiência para cá”, diz Joana.
O maquinário usado na barraca foi importado da Colômbia; ele gira a fruta, cortando-a em tiras finas e uniformes. Uma curiosidade: o equipamento foi desenvolvido especificamente para trabalhar com a manga verde, no ponto ideal de firmeza; quando a fruta amadurece demais, perde estrutura e não passa corretamente pela máquina.
Melhor tipo de manga para o produto
A variedade escolhida por Joana é a Palmer, que tem poucas fibras, é mais firme e possui a textura ideal para o produto que ela quer oferecer. “A Palmer é cultivada principalmente na Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, e muitas vezes percorre centenas de quilômetros até chegar ao Rio. Todo esse trajeto, somado às altas temperaturas, influencia diretamente no amadurecimento da fruta”, explica.
O preparo tradicional da Mulamango segue a receita clássica: sal, limão e pimenta, mas há espaço para personalização, de acordo com o gosto de cada cliente. “A manga temperada já existe em vários lugares do mundo. O que a gente fez foi pensar: como podemos trazer isso para o jeito do carioca? E a resposta veio rápido: o carioca adora montar o próprio açaí, escolher toppings, misturar sabores, testar combinações… Então pensamos: por que não fazer isso com a manga?”, conta.
Entre as opções de acompanhamento estão granola premium, mix de nozes, amêndoas, castanhas, passas, coco queimado, alho torrado, milho, mel e mostarda.
A reação do público: da desconfiança ao encanto
Segundo Joana, a recepção tem sido curiosa, divertida e, principalmente, surpreendente. “O carioca tem um jeito muito próprio de lidar com uma novidade: primeiro olha desconfiado, faz uma brincadeira, pergunta se é azedo, se arde ou se aquilo realmente combina. Depois experimenta, vem aquela carinha de surpresa e solta um: ‘Hummm… isso é muito bom!'”
A prática de temperar frutas aparece, com variações, em países como El Salvador, Guatemala, Costa Rica, República Dominicana, Jamaica, Trinidad e Tobago, Índia, Tailândia, Filipinas e Vietnã. “Cada lugar trabalha os sabores à sua maneira, usando ingredientes como sal, limão, pimenta, molhos, sementes, açúcar e temperos locais. No México, por exemplo, são comuns combinações com chilli, limão e sal; na Tailândia, a manga verde pode ser servida com molhos doces, salgados e picantes; e em El Salvador existe o preparo com manga verde, limão e alguashte, um tempero feito com sementes de abóbora”, conta a empreendedora.
Para quem ainda não provou, o conselho de Joana é: “Não julgue antes de experimentar […] Hoje eu costumo dizer que não vendo só manga temperada. Eu vendo uma experiência. E a melhor parte é ver alguém chegar cheio de preconceito, provar e sair dando risada porque acabou de descobrir um sabor completamente diferente do que imaginava”, finaliza a empreendedora.



/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f540e0b94d8437dbbc39d567a1dee68/internal_photos/bs/2026/L/B/I9AMpfSta1NduTAHqBvw/manga-verde-temperada.png?ssl=1)