“A cafeína ‘acelera’ a bexiga — ela deixa o músculo mais sensível e contraindo com mais facilidade. Resultado: aquela vontade de fazer xixi aparece mais rápido e, às vezes, com urgência. Já o álcool tem um efeito interessante: ele inibe o hormônio antidiurético, o ADH, que é responsável por ajudar o corpo a reter líquidos. Quando esse hormônio é inibido, você produz mais urina. Além disso, o álcool também pode irritar a bexiga. Então a pessoa não só urina mais, como pode sentir mais urgência. Na prática, são duas bebidas que, em excesso, costumam bagunçar bastante o padrão urinário.”
Quais os riscos para a saúde urinária?
O aumento da frequência e urgência urinária pode trazer impactos diretos para a saúde. A nutricionista clínica funcional Paula Alves (@soupaulaalvesnutri) conta que a desidratação pode ser um dos efeitos pelo excesso de consumo das bebidas.
“O café aumenta a sensibilidade da bexiga, fazendo com que ela sinta necessidade de esvaziamento mesmo com pouco volume. O álcool, pelo efeito diurético, aumenta o volume de urina produzido. O principal risco é a desidratação e a perda de eletrólitos importantes.”
“É preciso ficar atento também para riscos de infecção urinária. O álcool e o café em excesso podem irritar o revestimento da bexiga, tornando-a mais suscetível a inflamações. Além disso, a desidratação causada por essas bebidas torna a urina mais concentrada, o que favorece a proliferação de bactérias no trato urinário. Manter a urina diluída através da ingestão de água é a principal defesa natural contra infecções.”
Entenda como álcool pode impactar a saúde urinária — Foto: Reprodução/Magnific
Entenda como álcool pode impactar a saúde urinária — Foto: Reprodução/Magnific
Qual a recomendação para quem tem bexiga hiperativa?
Para quem possui a bexiga hiperativa – ou seja, já tem urgência e frequência aumentada de urina, precisa ter cuidado com o consumo em excesso de álcool e cafeína. Reduzir ou cortar as bebidas são as recomendações da médica urologista.
“A cafeína é um dos principais gatilhos de urgência urinária — então muitas vezes a gente orienta reduzir bastante ou até cortar, dependendo do caso. O álcool também pode piorar os sintomas, tanto pelo aumento da produção de urina (via inibição do ADH) quanto pela irritação da bexiga. Mas não é sobre proibir tudo — é sobre entender o próprio corpo. Tem paciente que melhora muito só diminuindo o café do dia a dia. Pequenas mudanças de hábito, nesse caso, fazem uma diferença enorme.”
A nutricionista também indica fazer combinações para diminuir os efeitos: “Uma estratégia prática é nunca consumir essas bebidas de estômago vazio e sempre intercalar com generosas quantidades de água para minimizar o efeito irritante e a desidratação”.
Consumo em excesso de café pode impactar a saúde urinária — Foto: Reprodução/Freepik
Consumo em excesso de café pode impactar a saúde urinária — Foto: Reprodução/Freepik



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