“Há 20 anos, inaugurava, no Rio de Janeiro, o Cachambeer e o Aconchego Carioca”, afirma Mariana, ao destacar dois marcos desse movimento. Segundo ela, esses bares ajudaram a inspirar uma leva de casas que consolidaram a alma da boemia carioca, como Bar da Gema, Bar da Frente, Bar do Momo e Bode Cheiroso, todos concentrados na Zona Norte da cidade.
Mariana relata que esta mudança também teve um peso importante das famílias, que mantiveram e reinventaram seus negócios.
“ O Bode Cheiroso é um bar muito antigo, mudou a gestão e passou para para a parte mais nova da família. Então, assim, de 20 anos para cá teve uma mudança no cenário de botequim no Rio de Janeiro muito clara”, relembra Mari Rezende.
Do boteco raiz à padronização: Mariana Rezende aponta o que mudou na boemia carioca em 20 anos — Foto: Receitas
Do boteco raiz à padronização: Mariana Rezende aponta o que mudou na boemia carioca em 20 anos — Foto: Receitas
A era da padronização
Segundo ela, ao longo do tempo, novas levas continuaram surgindo e reforçando esse ecossistema: “Depois, teve uma leva de um monte de bar abrindo, ou pessoas novas da família assumindo. Isso reforça o cenário”, analisa Mariana, que além de empreendedora é advogada. Para ela, porém, o boom do setor também traz uma preocupação, menos sobre a comida e mais sobre identidade:
“Todos esses bares que a gente mencionou têm uma identidade, têm uma característica, têm um perfil específico. Hoje em dia […], eu não sei o que está acontecendo. Você não vê uma especificidade, uma coisa única. Então, assim, falta! Fica uma coisa meio genérica”, ela opina, sobre a padronização dos novos botequins.
Afinal, que tipo de bar representa a alma carioca?
Além de mostrar sua preocupação, Mariana frisa o que para ela pode ser considerado um bom botequim, ou seja, um bar que representa a alma e a essência do Rio de Janeiro: “Isso é uma pergunta muito personalíssima. O que é um bar bom para mim é um bar simples, que eu fique à vontade”, opina a empresária, que complementa.
“Normalmente o botequim bom é a família que abriu, a família que tá ali. Cada bar é um universo próprio. Só que eu acho que tem que ter esse cuidado tem que ter a personalidade o que deixa aquele lugar único”, finaliza a empreendedora.



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