Com o aumento da procura e o desejo de adotar hábitos mais saudáveis, a oferta de whey protein nos supermercados cresce a cada dia. Mas você sabe identificar quando um produto é de qualidade?
Segundo Thyago Nishino, nutricionista com pós-graduação em Nutrição Esportiva pela USP, a análise do rótulo é um dos principais critérios para fazer uma boa escolha.
“Eu sempre recomendo olhar primeiro a tabela nutricional e não apenas a frente da embalagem. É importante verificar a quantidade de proteína por porção e comparar com o tamanho da porção indicada. Também vale observar a lista de ingredientes, porque ela mostra a composição real do produto. Quanto mais clara e objetiva for essa lista, melhor para entender o que está sendo consumido”, explica.
Como identificar um whey protein de qualidade? Nutricionista explica o que observar — Foto: Reprodução/Magnific
Como identificar um whey protein de qualidade? Nutricionista explica o que observar — Foto: Reprodução/Magnific
Outro ponto importante é observar o perfil de aminoácidos. O BCAA, formado por leucina, isoleucina e valina, representa uma parcela relevante da composição proteica do whey e está relacionado à recuperação muscular e ao estímulo da síntese proteica.
A leucina merece atenção especial. De modo geral, um whey protein de boa qualidade deve fornecer entre 2 g e 2,5 g desse aminoácido por dose. Valores muito baixos podem levantar dúvidas sobre a pureza ou a composição do produto, inclusive pela possibilidade de adição de aminoácidos de menor custo, prática conhecida como aminospiking.
Segundo o nutricionista, um importante sinal de alerta aparece quando o produto apresenta uma quantidade de proteína relativamente baixa em relação ao tamanho da porção e uma lista extensa de ingredientes adicionados sem uma justificativa clara. Também vale observar a presença excessiva de açúcares e carboidratos, especialmente quando o consumidor acredita estar comprando um suplemento com foco predominante em proteína.
Whey protein — Foto: Shutterstock
Whey protein — Foto: Shutterstock
O perfil de aminoácidos é outro indicador que pode ajudar na avaliação da qualidade do whey protein. A leucina, por exemplo, merece atenção especial por seu papel na síntese proteica e na recuperação muscular. Quando a quantidade desse aminoácido é muito baixa para uma dose de whey, podem surgir dúvidas sobre a pureza ou a qualidade da proteína utilizada na formulação.
Além disso, existe a possibilidade de ocorrência do chamado aminospiking, prática que consiste na adição de aminoácidos mais baratos para elevar artificialmente o teor de proteína declarado no rótulo, sem necessariamente aumentar a qualidade nutricional do produto.
No entanto, Thyago Nishino faz um alerta para evitar interpretações simplistas. Segundo ele, nenhum ingrediente deve ser considerado automaticamente “ruim” sem uma análise mais ampla. A avaliação do suplemento precisa levar em conta fatores como quantidade de proteína, composição, perfil de aminoácidos, tamanho da porção, objetivo do consumidor e qualidade geral da alimentação. “O whey é uma ferramenta para complementar a dieta e não deve ser avaliado de forma isolada”, ressalta.
Saiba mais sobre whey protein:
Whey protein: o que é, quando consumir e tudo que você precisa saber sobre o suplemento
O preço mais alto sempre significa um whey melhor?
Não. Preço mais alto não é sinônimo automático de maior qualidade. O consumidor precisa comparar o produto pelo que realmente está entregando, principalmente a quantidade de proteína por porção, a composição e a fonte proteica.
Um whey mais caro pode ter características específicas, como maior concentração de proteína ou determinadas tecnologias de processamento, mas isso não significa necessariamente que seja a melhor escolha para aquela pessoa. O melhor produto é aquele que atende à necessidade nutricional, ao objetivo e também cabe na rotina e no orçamento. Não adianta comprar um produto extremamente caro se ele não traz um benefício relevante para o objetivo daquela pessoa.
Erros mais comuns na hora de escolher whey protein
Um dos principais erros é escolher pela embalagem, pelo marketing ou pela promessa de resultado, sem analisar a tabela nutricional e a lista de ingredientes. Outro erro bastante comum é acreditar que quanto maior a quantidade de proteína anunciada na frente da embalagem, necessariamente melhor será o produto.
Também vejo muitas pessoas escolhendo o whey apenas pelo preço ou pelo tipo, como se whey isolado fosse sempre melhor que concentrado. Na prática, a escolha depende do contexto individual. O consumidor também pode deixar de observar informações importantes, como o perfil de aminoácidos e a quantidade de leucina por dose.
O mais importante é entender a necessidade daquela pessoa e encaixar o suplemento dentro de uma alimentação equilibrada. Suplemento não substitui uma boa alimentação; ele deve ser utilizado como uma ferramenta para facilitar o alcance das necessidades nutricionais.
Receitas com whey protein — Foto: Gold360
Receitas com whey protein — Foto: Gold360
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