Como o álcool favorece o acúmulo de gordura abdominal
- O amargor da cerveja pode estimular a secreção de enzimas digestivas e levar ao aumento do apetite em algumas pessoas;
- A cerveja possui glúten, que pode aumentar a sensibilidade intestinal em algumas pessoas, favorecendo uma inflamação crônica, silenciosa, que pode levar à resistência à insulina ou outros distúrbios metabólicos e nutricionais que, em associação, contribuem para o ganho de peso;
- Culturalmente, o consumo de cerveja costuma estar mais associado à petiscagem, geralmente com alimentos mais calóricos, gordurosos, ricos em sal e de maior potencial inflamatório, como frituras, embutidos e ultraprocessados. Isso aumenta a carga calórica total da ocasião e potencializa o efeito metabólico do álcool;
- A bebida alcoólica, por si só, tem efeito no córtex pré-frontal do cérebro, reduzindo o controle inibitório e aumentando a resposta à recompensa;
- Também pode aumentar a produção do hormônio grelina, relacionado à fome, e reduzir o controle da saciedade;
- O álcool tem preferência metabólica por ser interpretado como uma substância potencialmente danosa ao organismo. Com isso, ele reduz a utilização de gordura como fonte de energia. Em um contexto de maior consumo calórico, isso pode favorecer resistência à insulina e maior acúmulo de gordura na região abdominal e visceral;
- O álcool tende a prejudicar a via mTOR (regulador central do crescimento celular, metabolismo e síntese de proteínas), importante para hipertrofia, e consequentemente reduz o estímulo de manutenção de massa magra. Então, o que vemos são pessoas com barrigas mais volumosas e braços e pernas mais finos.
Por que a gordura visceral é perigosa para a saúde
A gordura visceral é considerada mais perigosa porque está armazenada em um local metabolicamente inadequado: dentro da cavidade abdominal, ao redor dos órgãos. Rafael Fantin explica que, diferente da gordura subcutânea, ela não é apenas um depósito de energia; é um tecido metabolicamente ativo, capaz de produzir substâncias inflamatórias, alterar a sensibilidade à insulina e interferir no funcionamento celular.
Quando esse tecido adiposo se torna disfuncional, ele favorece uma inflamação crônica silenciosa, que pode desencadear alterações endócrino-metabólicas sistêmicas. Isso aumenta o risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, alterações na produção dos hormônios sexuais e maior risco de doenças inflamatórias, autoimunes e alguns tipos de câncer.
“Além disso, existe o que chamamos de comunicação entre órgãos, ou “cross-talk”. Ou seja, um tecido adiposo visceral disfuncional pode influenciar negativamente órgãos à distância, como fígado, intestino, músculo e cérebro. Por isso, a gordura abdominal não é apenas uma questão estética: ela é um marcador importante de risco metabólico e inflamatório”, alerta o médico Rafael Fantin.
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