A boa notícia é que existe uma combinação simples de hábitos capaz de frear esse processo: alimentação estratégica e treinamento de força. A seguir, reunimos a orientação do dr. Sandro Ferraz, nutrólogo e especialista em emagrecimento e longevidade, sobre o assunto:
Os alimentos que ajudam a preservar músculos
- Frango e proteínas magras: o peito de frango concentra aminoácidos essenciais e é rico em leucina, o principal gatilho para a produção de músculo. Depois dos 40, o corpo passa a aproveitar menos essa proteína; por isso a recomendação é distribuí-la ao longo do dia, com uma boa quantidade em cada refeição principal. Peru, peixes e cortes bovinos magros grelhados entram na mesma categoria.
- Ovos: considerados uma das fontes de proteína de maior qualidade que existem: a clara fornece aminoácidos essenciais e a gema concentra vitamina D e gorduras que ajudam a manter um ambiente hormonal favorável à musculatura. O receio antigo em relação à gema já foi superado — consumir de dois a três ovos por dia é seguro para a maioria das pessoas saudáveis.
- Salmão: reúne proteína de alta qualidade e ômega-3 em abundância. Os ácidos graxos do peixe têm ação anti-inflamatória e ajudam a desacelerar a perda muscular ligada à idade, além de potencializar os efeitos do exercício físico no corpo. Vale incluí-lo no cardápio de duas a três vezes por semana.
- Feijão e leguminosas: além de proteína vegetal, oferecem ferro, zinco e fibras que ajudam no controle glicêmico — importante porque, com o tempo, o corpo passa a ter mais dificuldade de aproveitar nutrientes para o músculo. A combinação clássica do feijão com arroz integral forma um perfil de aminoácidos mais completo. Lentilha, grão-de-bico e ervilha seguem a mesma lógica.
- Iogurte grego: tem o dobro de proteína do iogurte comum e é especialmente interessante à noite, pois sua proteína de digestão lenta libera aminoácidos de forma contínua durante o sono, período em que o corpo mais recupera e constrói músculo. De quebra, os probióticos ajudam na absorção de nutrientes.
- Aveia: proteína sozinha não sustenta o músculo, é preciso energia disponível para que ela não seja “queimada” como combustível. A aveia libera energia aos poucos, evita picos de insulina e mantém o estoque de glicogênio muscular, sendo uma aliada especialmente para quem treina
- Espinafre e folhas verde-escuras: couve, rúcula e agrião entram no mesmo grupo. Fornecem magnésio, essencial para a contração muscular, além de nitratos naturais que melhoram o desempenho físico e vitamina K, ligada à saúde óssea e muscular.
Por que acontece a perda muscular após os 40 anos
Segundo o dr. Sandro Ferraz, a perda de massa muscular depois dos 40 tem várias causas: “Com o passar dos anos, ocorre uma redução progressiva da capacidade do músculo de responder aos estímulos anabólicos, como a ingestão de proteínas e o treinamento de força. Chamamos isso de resistência anabólica”, explica.
Envelhecer é inevitável, mas perder músculo em ritmo acelerado, não. De acordo com o médico, é possível desacelerar bastante esse processo e, em muitos casos, até ganhar massa muscular em idades mais avançadas com treinamento de força, proteína e energia adequadas, correção de deficiências nutricionais e boa qualidade de sono.
“Eu costumo dizer que músculo não é apenas uma questão estética: é um verdadeiro órgão de longevidade”, afirma o dr. Sandro Ferraz.
E os suplementos? São necessários? Dr. Sandro ressalta que nenhum suplemento substitui treino, alimentação e acompanhamento médico. Veja o que ele diz sobre três suplementos muito utilizados:
- Whey protein serve para fechar a conta de proteína do dia quando a alimentação sozinha não dá conta.
- Creatina tem respaldo científico forte para força e massa magra, inclusive em pessoas mais velhas, principalmente combinada a treino de força.
- HMB pode fazer sentido em situações de maior risco, como idosos fragilizados ou períodos de imobilização.
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Whey protein: o que é, quando consumir e tudo que você precisa saber sobre o suplemento
Por fim, ao ser convidado a resumir tudo em três orientações para chegar aos 60 ou 70 anos com músculos, o dr. Sandro Ferraz foi enfático:
- Treinar força a vida inteira, não pelo espelho, mas para conseguir levantar da cadeira sozinho aos 80 anos, carregar suas compras, subir escadas, brincar com seus netos e manter sua independência.
- Consumir proteína suficiente e bem distribuída ao longo do dia. À medida que envelhecemos, o músculo tende a responder menos ao estímulo proteico, e por isso a ingestão adequada de proteínas ganha ainda mais importância. Em adultos mais velhos, diferentes consensos e estudos sugerem que necessidades proteicas podem frequentemente superar a recomendação mínima convencional, especialmente quando há atividade física, sarcopenia ou maior risco de perda muscular.
- Não espere perder músculos para começar a cuidar deles. Massa muscular funciona como uma reserva fisiológica. Quanto maior for sua reserva antes de envelhecer, melhor preparado você estará para enfrentar doenças, cirurgias, períodos de imobilização e o próprio processo de envelhecimento. Depois dos 40, construir e preservar músculos deixa de ser apenas uma busca por estética. Passa a ser um dos maiores investimentos que você pode fazer na sua longevidade, autonomia e na sua qualidade de vida.
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