Paris proíbe álcool nas ruas durante onda de calor; entenda os riscos de beber em altas temperaturas

Paris proíbe álcool nas ruas durante onda de calor; entenda os riscos de beber em altas temperaturas


Embora possa parecer apenas uma decisão administrativa, especialistas afirmam que a restrição faz sentido do ponto de vista da saúde pública. O álcool pode potencializar os efeitos do calor sobre o organismo e aumentar o risco de desidratação, queda de pressão, mal-estar e até problemas cardiovasculares.

Paris proíbe álcool nas ruas durante onda de calor; entenda os riscos de beber em altas temperaturas — Foto: Reprodução da internet/Pexels

Segundo o médico cardiologista dr. Niceas Alves Ferreira Neto, o consumo de álcool em dias muito quentes merece atenção porque interfere diretamente na forma como o corpo controla a temperatura.

“O álcool favorece a desidratação, dilata os vasos sanguíneos e pode prejudicar a capacidade do organismo de regular a temperatura corporal. Em dias de calor intenso, isso aumenta o risco de queda de pressão, mal-estar, insolação e outras complicações”, afirma o cardiologista dr. Niceas.

A dra. Thaís Pinheiro Lima, também cardiologista, explica que o organismo já trabalha mais para manter a temperatura interna estável quando faz muito calor:

“Em dias de calor intenso, o organismo já está trabalhando no limite para controlar a temperatura interna. Quando o álcool entra nesse cenário, ele pode acelerar a perda de líquidos, comprometer a percepção de risco e exigir ainda mais do coração.”

Álcool e calor: combinação perigosa

Durante dias de calor extremo, o corpo perde água e eletrólitos por meio da transpiração e da vasodilatação, mecanismo que ajuda a dissipar o calor. O álcool, por sua vez, tem efeito diurético, aumentando ainda mais a perda de líquidos. Além disso, ele pode reduzir a capacidade do organismo de perceber que algo está errado.

Outro ponto que preocupa os especialistas é a falsa sensação de refrescância causada por bebidas alcoólicas geladas.

Segundo o Dr. Niceas, embora um chope ou um drinque bem gelado pareçam aliviar o calor, isso não significa que o organismo esteja hidratado: “A temperatura da bebida pode trazer uma sensação momentânea de alívio, mas isso não significa que o corpo esteja hidratado. Pelo contrário, o álcool continua favorecendo a perda de líquidos e pode mascarar os sinais iniciais de desidratação.”

A Dra. Thaís faz o mesmo alerta: “A sensação de refrescância de uma bebida gelada pode ser enganosa. A temperatura da bebida alivia momentaneamente, mas não protege o organismo da desidratação nem da sobrecarga térmica.”

Ela acrescenta que cervejas, caipirinhas e drinques doces costumam ser consumidos rapidamente justamente porque o sabor e a temperatura mascaram o teor alcoólico.

Desidratação: primeiros sinais de alerta

Antes que o quadro evolua para uma emergência, o corpo costuma dar alguns sinais. Os especialistas orientam ficar atento a sintomas como: sede intensa; boca seca; tontura; dor de cabeça; fraqueza; cansaço excessivo; náuseas; palpitações; cãibras; sensação de desmaio; diminuição da quantidade de urina ou urina escura.

Segundo a Dra. Thaís, o problema é que o álcool atua sobre o sistema nervoso central e pode diminuir a percepção desses sinais. “A pessoa pode não perceber que está passando do limite. O álcool anestesia a leitura dos sinais do próprio corpo. Isso é especialmente perigoso em festas, praias, parques, shows e grandes eventos ao ar livre.”

Confusão mental, desmaios, vômitos persistentes, pele muito quente, falta de ar, dor no peito ou alteração do nível de consciência são sinais que exigem atendimento médico imediato.

A proibição em Paris faz sentido?

Na avaliação dos dois médicos, sim. Para a Dra. Thaís, restringir o consumo de álcool durante uma onda de calor é uma estratégia de redução de danos.

“Em uma onda de calor, o álcool deixa de ser apenas uma escolha individual. Ele pode aumentar quedas, desidratação, síncopes, arritmias, afogamentos e atendimentos de urgência. Em saúde pública, reduzir um fator evitável de risco durante uma emergência climática faz sentido”, afirma a Thais.

O Dr. Niceas concorda e afirma que medidas desse tipo ajudam a diminuir casos de desidratação, insolação e eventos cardiovasculares, principalmente entre pessoas mais vulneráveis.

Quem precisa ter mais cuidado

Embora qualquer pessoa possa sofrer os efeitos da combinação entre calor e álcool, alguns grupos correm risco ainda maior. Entre eles estão:

  • pessoas com hipertensão;
  • pacientes com arritmias ou insuficiência cardíaca;
  • quem tem doença renal;
  • idosos;
  • pessoas que usam diuréticos, anti-hipertensivos ou outros medicamentos de uso contínuo.

Segundo os especialistas ouvidos pelo Receitas, nesses casos a perda de líquidos pode ser mais difícil de compensar, aumentando o risco de queda da pressão arterial, desmaios, palpitações e outras complicações.

A Dra. Thaís reforça que pacientes que fazem uso de medicamentos não devem suspendê-los por conta própria durante uma onda de calor.

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