Paulo Miranda, médico endocrinologista, coordenador da Comissão Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que há forte correlação entre a resistência insulínica com excesso de peso corporal, principalmente obesidade abdominal. Outros fatores associados são o sedentarismo, a privação de sono, o estresse crônico, o tabagismo, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e até fatores genéticos.
“O excesso de açúcar na alimentação pode contribuir para o desenvolvimento da resistência insulínica, mas ele está longe de ser o único fator envolvido”, explica Luna Azevedo, nutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora convidada da instituição.
“Hoje sabemos que a resistência insulínica é uma condição multifatorial. O problema costuma estar muito mais relacionado ao padrão alimentar e ao estilo de vida como um todo do que a um único alimento isoladamente”, afirma a nutricionista Luna Azevedo.
A resistência à insulina geralmente é assintomática. No entanto, podem surgir alguns sintomas como dificuldade para emagrecer, aumento de peso e gordura abdominal. Também podem ocorrer alterações na pele, como a acantose nigricans, que são manchas de pele mais escuras no pescoço e nas axilas. A condição também pode ser identificada por exames laboratoriais.
Efeitos de carboidratos simples e complexos no quadro de resistência insulínica
Luna explica que os carboidratos simples, como açúcar refinado, refrigerantes, doces e alguns produtos ultraprocessados, costumam ser absorvidos rapidamente, gerando elevações mais intensas da glicose sanguínea.
Já os carboidratos complexos, presentes em alimentos como aveia, feijões, lentilhas, grão-de-bico, frutas e cereais integrais, geralmente contêm fibras e outros nutrientes que tornam a absorção mais lenta e favorecem um melhor controle glicêmico.
“Mas é importante destacar que não devemos analisar apenas o tipo de carboidrato. A quantidade consumida, a combinação com proteínas, gorduras e fibras, além do contexto alimentar, também influenciam muito na resposta metabólica”, ressalta a nutricionista.
Muitas pessoas acreditam que a resistência à insulina exige cortar todos os carboidratos da dieta, mas isso não é verdade. “Os carboidratos continuam sendo uma importante fonte de energia para o organismo. O foco geralmente não é eliminar, mas melhorar a qualidade e a distribuição desses carboidratos ao longo do dia”, afirma Luna.
Muitas pessoas se beneficiam ao priorizar alimentos ricos em fibras, reduzir o consumo de ultraprocessados e associar carboidratos a proteínas e gorduras saudáveis nas refeições. A restrição extrema de carboidratos não é obrigatória e nem adequada para todos os indivíduos. O tratamento deve ser individualizado e considerar hábitos, rotina, objetivos e condições clínicas de cada paciente.
Luna explica que nenhum alimento isoladamente “cura” a resistência insulínica, mas alguns grupos alimentares estão associados a uma melhor sensibilidade à insulina. Entre eles, podemos destacar:
- Leguminosas, como feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico;
- Vegetais e hortaliças variados;
- Frutas consumidas preferencialmente in natura;
- Cereais integrais, como aveia;
- Oleaginosas, como castanhas e nozes;
- Fontes de gorduras insaturadas, como azeite de oliva, abacate e sementes.
Além disso, uma alimentação rica em fibras e compostos bioativos ajuda a reduzir inflamação, melhorar a saúde intestinal e favorecer o metabolismo da glicose.
Tratamento para resistência à insulina
De acordo com Paulo Miranda, a principal forma de melhorar o quadro é através da mudança de hábitos de vida. Para isso, é essencial:
- praticar atividade física (tanto exercícios de resistência/força quanto aeróbicos);
- perder de peso, que potencializa os resultados;
- em alguns casos, usar medicações que ajudam a reduzir a resistência insulínica e melhorar o uso da gordura periférica, ou tratam diretamente o excesso de adiposidade.
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