“Farinha para nós, nortistas, é o feijão com arroz para outras regiões. É a nossa base alimentar. Então, com farinha a gente faz tudo: come com banana, com laranja, com melancia, com açaí, com peixe, com carne. Tem que ter a farinha para dar a sustância”, declarou Marciele.
Nascida no Maranhão, mas criada em Belém, no Pará, a chef Adriana Veloso logo entendeu a importância da farinha de mandioca no seu dia a dia e de seus familiares. “Um pilar pra nossa identidade. A farinha é uma herança milenar indígena“, comentou.
Adriana Veloso explica a importância da farinha de mandioca para a Região Norte do Brasil — Foto: Receitas
Adriana Veloso explica a importância da farinha de mandioca para a Região Norte do Brasil — Foto: Receitas
Uma alimentação à base de farinha de mandioca
Ex-participante do Chef de Alto Nível, Adriana Veloso relata que a farinha de mandioca já era o principal alimento dos povos originários. “A mandioca era a única base de alimentação dos povos originários. Da mandioca era extraído tudo. Era bebida, que é servida hoje, o nosso tucupi. Eles também usavam as folhas da mandioca para fazer maniçoba, e da raiz, depois de descobrirem que colocando fogo dava pra fazer farinha, surgiu a farinha de mandioca”, revelou.
Farinha de mandioca — Foto: Shutterstock
Farinha de mandioca — Foto: Shutterstock
Com isso, a farinha de mandioca se difundiu entre os colonizadores e por todo território nacional, principalmente na Região Norte do Brasil. Adriana, no entanto, atenta que cada estado possui sua própria maneira de produzir a farinha de mandioca. “Tem a farinha lavada, tem a farinha que é mais escura, tem a farinha que é mais amarela, tem a farinha mais fina”, detalhou.
Farinha de mandioca: conheça os tipos e as diferenças
Com a farinha de mandioca tão enraizada na cultura nortista e com tantas opções diferentes, ela se tornou fundamental nas refeições.
“Muito nortista diz que, se não colocar farinha no prato, não se alimentou direito. É igual a pessoa que só come [a refeição] com feijão. Lá no Norte, a gente só come com farinha. Então, qualquer coisa combina com farinha”, explicou Adriana.
A importância econômica da farinha
Além do valor gastronômico, a farinha de mandioca também tem bastante importância econômica para a Região Norte. Uma herança que segue desde o período colonial são as Casas de Farinha, que surgiram no século XVI como forma de adaptar as técnicas indígenas usadas no preparo da mandioca.
Mandioca: como escolher, cozinhar, consumir e congelar — Foto: Receitas
Mandioca: como escolher, cozinhar, consumir e congelar — Foto: Receitas
As Casas de Farinha ainda são importantes polos de agricultura familiar e responsáveis por gerar renda para toda uma comunidade. “Muita gente ainda vive da renda da farinha. A economia dessas regiões ainda é à base da farinha”, relatou Adriana Veloso. “A farinha é o nosso ouro“, concluiu.
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