Koral: restaurante do chef Pedro Coronha tem o mar como protagonista

Koral: restaurante do chef Pedro Coronha tem o mar como protagonista


Com apenas dois anos de trajetória, o Koral, que fica em Ipanema, recebeu o selo Bib Gourmand e o chef Pedro Coronha levou o Young Chef Award no Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo 2026. Em conversa com o Receitas, o chef reflete sobre suas escolhas na cozinha, prêmios, a importância de uma experiência gastronômica que vai além do prato e o equilíbrio necessário para liderar uma equipe em um dos setores mais intensos do mercado. Confira:

O premiado chef Pedro Coronha está à frente do Koral — Foto: Yasmin Alves

Da paixão por comer à cozinha profissional

O interesse de Pedro Coronha pela gastronomia nasceu ainda cedo, muito antes de se tornar profissão. “Eu sempre gostei muito de comer e tenho certeza de que o grande interesse veio daí”, conta o chef. Foi por volta dos 16 anos que a curiosidade se transformou em direção de carreira, atraído pela cozinha profissional como um ofício criativo e dinâmico.

A decisão, no entanto, não foi recebida de imediato com entusiasmo pela família. “Quando eu apresentei a ideia de fazer gastronomia, eu vi muitas expressões de interrogação, mas mais pelo fato de eles não conhecerem muito a respeito da profissão. Mesmo assim, sempre me apoiaram”, relembra.

Formado em Gastronomia pela escola de Alain Ducasse, no Rio de Janeiro, iniciou sua carreira aos 18 anos em cozinhas de prestígio, como o Eleven Rio e o Eleven Lisboa. Em 2019, estagiou no renomado Noma, em Copenhague, frequentemente citado entre os melhores restaurantes do mundo.

Peixes e frutos do mar como protagonistas

Localizado em Ipanema, o Koral fica instalado em um casarão de dois andares e tem cozinha aberta, ótimo para quem gosta de ver a ação acontecendo. O menu é moderno e autoral, e valoriza, sobretudo, o frescor dos ingredientes, com destaque para os insumos vindos do mar.

Em um país que figura entre os maiores consumidores de carne vermelha do mundo, o Koral escolheu colocar peixes, frutos do mar e vegetais no centro do menu. Segundo o chef, a decisão é mais autoral do que estratégica, ainda que a casa mantenha opções de carne para agradar a todos os públicos.

“O Koral tem pratos de carne selecionados para o menu. Mesmo que sejam poucos, precisamos pensar em agradar os clientes que querem comer carne. Para além disso, focamos em peixe, frutos do mar e vegetais por serem insumos que eu gosto de trabalhar e desenvolver uma linha criativa em cima desses insumos“, explica.

Prêmios: o que representa o reconhecimento

Sobre o duplo reconhecimento recente do Guia Michelin, Coronha enxerga como combustível para seguir adiante. “Esses reconhecimentos mostram que a linha de trabalho que eu planejo e executo estão no caminho certo, com consistência e maturidade“, avalia. “Somos reconhecidos por aquilo que entregamos, e não o que faremos no futuro.

Ganhar um prêmio sempre dá uma carga nova de energia para continuar trabalhando, evoluindo e conquistando nossos objetivos.” Quanto à pressão que costuma acompanhar esse tipo de reconhecimento, o chef é direto: “De verdade, não acho que a pressão externa aumenta. A maior cobrança é a pessoal, e ela existe com ou sem prêmios.”

Pratos do restaurante Koral: cozinha moderna e autoral — Foto: Yasmin Alves

Uma experiência que vai além do prato

Para Coronha, a excelência de um restaurante não se resume à cozinha, e essa foi uma premissa desde a abertura do Koral. “Desde que abri o Koral deixei bem claro para a equipe que aqui o nosso objetivo era que todos os setores estivessem alinhados e no mesmo nível de entrega, criatividade e posicionamento. Bar, salão, cozinha e vinho precisam estar de mãos dadas, pois a experiência ideal é composta pela junção deles.”

O chef também reflete sobre as transformações no ambiente das cozinhas profissionais e o desafio de equilibrar alta performance com bem-estar das equipes. Para ele, esse equilíbrio começa antes mesmo do primeiro serviço: “Acredito que o equilíbrio começa na seleção das pessoas, apresentando de forma clara o modelo da empresa, os objetivos e o formato de trabalho. Assim é possível construir um ambiente equilibrado.”

As indicações do chef Pedro Coronha no Rio

Fora do Koral, quando o assunto é comer bem no Rio de Janeiro, Pedro Coronha tem endereços certeiros: Naga, La Bicyclette, Garota da Gávea, Clan e Bráz completam sua lista de recomendações — uma mistura de clássicos e cantos queridos da cidade.

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